Por dentro do Mercado San Pedro, em Cusco

Cusco_Mercado3_GaiaPassarelli O chef-escritor-apresentador e viajante profissional Anthony Bourdain decretou certa vez, com alguma sabedoria, que “uma cidade se conhece por seus mercados”. Ele não está falando do supermercado, mas dos mercados centrais que abastecem cidades de todos os tamanhos mundo afora. É por eles que chegam produtos de agricultura vindos do interior, peixes frescos vindos do mar, cortes de carne que vão parar nas mesas de restaurantes. Não raro, também é nesses mercados que cidadãos fazem as melhores compras, as mais frescas e baratas.

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Mercados centrais são herança de tempos antigos, por isso muitos dos mercados europeus e asiáticos estão no mesmo lugar há séculos. Aqui na América do Sul também existem vários, inclusive com status de pontos turísticos como o Mercado da Cantareira de São Paulo (o nosso Mercado Municipal, carinhosamente apelidado Mercadão), o de Santiago de Chile ou o Ver-o-Peso de Belém. O Mercado Central de Cusco, no Peru, uma terra de abundância de ingredientes gastronômicos, é o Mercado San Pedro.

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Apesar de receber turistas, o Mercado San Pedro não é uma cilada turística. Fica centro velho de Cusco e serve principalmente como parada para os cusqueños fazerem compras, tomarem um copo de jugo de maca fresco (diz que faz bem para o cérebro!) e aproveitarem para refeições tradicionais, rápidas e baratas. Como todos os mercados, é um lugar que tem um pouco de tudo, de flores e estátuas de santos à pães frescos e cortes de carne.

Para quem deseja sentir a vida local da cidade, fora dos hotéis e picos turísticos, é um passeio essencial, que permite admirar um universo virtualmente infinito de tipos de batatas, comprar grãos deliciosos e abundantes ou comer uma prato de ensopado de cui, o porquinho-da-índia que aqui no Brasil tratamos como animalzinho de estimação, mas que é originário do Peru e por lá é fonte de proteína.

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O ambiente é barulhento e bastante simples, com teto aparente, mesas plásticas e lâmpadas penduradas em fios. Espante qualquer má impressão inicial, beba um suco de fruta feito pelas mulheres perto da entrada principal e caminhe sem pressa por entre os muitos corredores do mercado – cada um tem um tema. Dá para experimentar de tudo e os vendedores não costumam empurrar os produtos.

Só um toque: apesar dos frequentadores estarem acostumados com os turistas, é de bom tom perguntar antes de tirar fotos. E preste atenção na placa da área de alimentação que pede privacidade dos clientes.

– Gaía Passarelli

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